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DRA. ANA LÚCIA BELTRAME • CRM-SP 97.198
GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E REPRODUÇÃO HUMANA

Ultrassom transvaginal com preparo intestinal

Também chamado de ultrassom transvaginal para endometriose ou ultrassom especializado em endometriose, este exame é assim denominado para diferenciá-lo do ultrassom transvaginal básico.

Nesta modalidade, o mais importante é o reconhecimento e localização precisa das lesões endometrióticas.

Em tal modalidade se faz necessário o conhecimento específico da doença, experiência com a técnica ultrassonográfica, aparelho de ultrassom adequado, bem como a realização do preparo intestinal que possibilita a avaliação das paredes do reto e cólon sigmoide.

QUAL É A FINALIDADE DO EXAME?

O ultrassom transvaginal com preparo intestinal é a modalidade de imagem de escolha para determinar a presença de endometriose ovariana e infiltrativa da região retrouterina, retossigmoide e do septo retovaginal (Am Fam Physician. 2011 Jan 1;83(1):84-85).

Portanto é de importância reconhecida no diagnóstico e no estadiamento pré-cirúrgico possibilitando a adequada formação da equipe cirúrgica multiprofissional, bem como colaborando para a programação técnica e tática da mesma.

COMO O ULTRASSOM COM PREPARO INTESTINAL É REALIZADO?

Previamente ao exame é realizado o “preparo intestinal” que visa uma redução significativa do resíduo intestinal, notadamente do cólon sigmoide e do reto, que são as vias finais do intestino grosso. A bexiga também deve estar parcialmente cheia para a avaliação das suas paredes.

Esse exame é realizado por via transvaginal e com transdutor dedicado. Pode ser necessária a introdução de gel vaginal para a melhor caracterização das paredes vaginais.

O tempo do exame é maior que do ultrassom transvaginal básico, pois adicionalmente a este, realiza-se o estudo específico da endometriose que será mais demorado conforme o número e a extensão das lesões.

A maior excursão (movimentação) do transdutor também é percebida pela paciente, sendo esta necessária para avaliação de segmentos específicos, como por exemplo, as paredes do reto.

APÓS ESSE EXAME CONSIGO TER CERTEZA DA A PRESENÇA (OU AUSÊNCIA) DE ENDOMETRIOSE?

Podemos dividir didaticamente a endometriose pélvica em ENDOMETRIOSE PERITONEAL, OVARIANA OU PROFUNDA (INFILTRATIVA).

Na endometriose peritoneal, onde as lesões não são infiltrativas, tanto o ultrassom transvaginal quanto a ressonância magnética (RM) são igualmente irrelevantes para a detecção destes implantes. Neste caso, após a suspeita clínica, o diagnóstico é feito apenas através da laparoscopia com confirmação anatomopatológica. (Garry R. The effectiveness of laparoscopic excision of endometriosis. Curr Opin Obstet Gynecol.2004;16:299–303).

O diagnóstico da endometriose ovariana (endometriomas) é primariamente realizado pelo ultrassom transvaginal, podendo também ser reconhecido através de outros métodos de imagem como a RM de pelve. ( Van Holsbeke C, Van Calster B, Guerriero S. et al. Endometriomas: their ultrasound characteristics.Ultrasound Obstet Gynecol. 2010;35:730–740.)

O ultrassom é a modalidade de escolha para a caracterização das lesões infiltrativas (profundas) na região retrocervical (mais frequentemente envolvida), vagina e o retossigmoide. (Hudelist G, English J, Thomas A E. et al. Diagnostic accuracy of transvaginal ultrasound for non-invasive diagnosis of bowel endometriosis: systematic review and meta-analysis. Ultrasound Obstet Gynecol. 2011;37:257–263). A endometriose profunda pode envolver outras estruturas abdominais como o intestino delgado, apêndice vermiforme, a bexiga, os ureteres, etc, nestas situações o diagnóstico pode ser feito com menor acurácia pelo ultrassom ou o clínico poderá lançar mão de outros métodos auxiliares.

QUAIS OUTROS EXAMES TAMBÉM PODEM SER NECESSÁRIOS PARA A AVALIAÇÃO DA ENDOMETRIOSE?

Podemos utilizar uma série de exames que podem fornecer informações adicionais para estruturas específicas.

Retossigmoidoscopia: avaliação da mucosa intestinal (raro) e diferenciar das lesões primárias (próprias) do retossigmoide.

Ressonância magnética: Pode fornecer informações de outros segmentos intestinais afetados, pode avaliar as paredes da bexiga e ureteres e outros segmentos abdominais mais altos.

Ultrassom endoscópico transretal: Pode fornecer informações sobre o grau de infiltração da endometriose da parede intestinal, complementando em alguns casos o ultrassom com preparo.

Enema opaco: Fornece informações sobre o grau de estreitamento dos segmentos intestinais afetados.

Urotomografia ou uroressonância: Avalia o envolvimento das estruturas urinárias com estenose ureteral, dilatação dos rins e confirmação do trajeto ureteral para a programação cirúrgica.

Cistoscopia: Fornece informações pré-operatórias importantes na evidência do envolvimento da bexiga urinária.

(Geburtshilfe Frauenheilkd. 2014 Dec; 74(12): 1104–1118)


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