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DRA. ANA LÚCIA BELTRAME • CRM-SP 97.198
GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E REPRODUÇÃO HUMANA

DIU para adolescentes?

De acordo com pesquisas recentes do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), 600 mil partos no país (21,5% do total), são de mães jovens, ou seja, com idade inferior a 20 anos.

Também segundo dados divulgados pela Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), os filhos de mães adolescentes apresentam maior vulnerabilidade social, já que estatisticamente correm mais risco de abandono, violência doméstica e baixo acesso à saúde e à educação.

Para complicar a situação ainda mais, de acordo com a FEBRASGO, 75% das adolescentes que têm filhos não estudam e 57,8% não estudam nem trabalham e a reincidência de gestações é grande.

Ou seja, cerca de 30% das adolescentes engravidam no primeiro ano pós-parto, e entre 25% a 50%, no segundo ano pós-parto, fato que torna ainda mais difícil a reintegração da mãe à escola e ao mercado de trabalho. Isto é que mostra um estudo divulgado pelo Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), que abrange todos os nascimentos no Brasil e não somente os que aconteceram no SUS.

Como você pôde ver, uma gravidez não planejada pode ter implicações sérias e negativas. Ao engravidar, uma jovem pode ter o seu presente e futuro totalmente alterados.

DIU para adolescentes?

Possíveis consequências para a saúde da jovem mãe e do bebê

Dados divulgados em um estudo da Plan International mostram que adolescentes têm maior risco de complicações e mortalidade, sendo o parto a principal causa de morte de mulheres jovens entre 15 e 19 anos em países em desenvolvimento.

Além disso, segundo a FEBRASGO, a incidência de mortalidade infantil é, em média, quatro vezes maior, quando comparada à de mães com idade acima de 20 anos.

Complicações pós-aborto

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 31% das gestações no Brasil terminam em aborto e são registradas cerca de 230 mil internações, por ano, para tratamento das complicações decorrentes do ato. Uma triste realidade, não é mesmo?

Adolescência: uma faixa etária vulnerável quando o assunto é gravidez não planejada

A pesquisa “Nascer no Brasil” da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), mostra que as adolescentes são consideradas um grupo vulnerável quando o assunto é gravidez não planejada.

O estudo realizado entre aproximadamente 24 mil grávidas em todo o Brasil também sinalizou que, entre as adolescentes, dois terços não desejavam a gravidez e 3,4% disseram ter tentado interromper a gestação. Este número deve estar subestimado ainda, pelo fato da interrupção ser considerada crime na legislação atual.

A falta de adesão aos métodos contraceptivos também é um problema entre a adolescência, como mostra um estudo divulgado no site do FEBRASGO.

Uma pesquisa realizada com adolescentes universitárias de São Paulo também revelou que 54,3% se esquecem de tomar mais de três pílulas durante o mês. E cerca de 20% das que usam pílula contraceptiva engravidam ao final do primeiro ano de utilização do método.

Quais são os cuidados para evitar a gravidez precoce em adolescentes?

Antes de falarmos sobre os cuidados, vamos explicar quais seriam os possíveis motivos que podem inibir a falta de adesão aos métodos contraceptivos entre os adolescentes:

  • Vergonha ou falta de coragem de negociar a prevenção;
  • Relações não estáveis;
  • Sensação de poder e o pensamento mágico de que “comigo não vai acontecer”;
  • Menor conhecimento sobre o corpo e fertilidade.

A importância da orientação das pessoas mais próximas sobre sexo e contracepção

É imprescindível que o adolescente tenha acesso a um diálogo transparente com quem se sentir mais confortável, mas o ideal é que seja uma pessoa de confiança.

Como os pais têm um papel importante na formação dos filhos, é interessante que o tema seja introduzido nas conversas familiares desde a infância. Pois, a tendência é que o assunto fique mais fácil de lidar na adolescência.

Ao mesmo tempo, projetos de educação sexual na escola são importantes para que a adolescente e o adolescente tenham acesso às informações necessárias para discutir os valores e as questões envolvidos. Como, por exemplo, quais são os métodos contraceptivos, qual o momento correto da primeira relação, a importância da reflexão antes da relação sexual, etc.

Como manter uma relação sexual segura?

Para manter uma relação sexual segura é preciso que os jovens conheçam e usem métodos contraceptivos, como por exemplo, a camisinha e a pílula anticoncepcional.

No entanto, grande parte das gestações não desejadas na adolescência são devido ao uso incorreto de pílulas anticoncepcionais. Segundo o Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia, os métodos contraceptivos de longa duração, dentre eles o Dispositivo intrauterino (DIU), constituem  uma boa opção para estas meninas, sendo que os números revelados em pesquisas com as usuárias mostraram-se animadores: 81% não abandonaram o método em comparação com 44% das que usavam outro método contraceptivo, demonstrando o alto grau de contentamento e segurança oferecida a estas pacientes.

Importante também é a consciência dos riscos que envolvem uma relação sexual desprotegida, reforçando a importância do uso da camisinha na prevenção de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis), independente da opção contraceptiva.


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