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DRA. ANA LÚCIA BELTRAME • CRM-SP 97.198
GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E REPRODUÇÃO HUMANA

Descubra o que é e como funciona a fertilização in vitro

Engravidar pode não ser tão fácil para algumas pessoas. Aproximadamente 15% dos casais que estão tentando engravidar, possuem infertilidade.

Consideramos que um casal é infértil quando após um ano sem métodos contraceptivos não consegue atingir a gravidez. O primeiro passo para a avaliação da infertilidade é procurar um especialista, sendo que, para mulheres acima de 35 anos, a investigação deve-se iniciar mais cedo, após seis meses de tentativa.

Existem diversos tratamentos disponíveis para diferentes  causas de infertilidade, mas, no post de hoje, vamos falar especificamente da Fertilização In Vitro (FIV).

No nosso conteúdo, você vai entender o que é a técnica, em que casos a Fertilização In Vitro é recomendada e se existem riscos.

O que é a fertilização in vitro (FIV)?

Descubra o que é  e como funciona a fertilização in vitro

Apesar do nome “Bebe de Proveta” nos remeter à ficção científica, a prática é muito natural na atualidade.

Os óvulos são fecundados fora do corpo da mulher –“in vitro’- e recolocados dentro do útero em forma de embrião. É um processo muito válido para homens com baixa contagem de espermatozoides ou com alteração na forma dos mesmos. Vale também para mulheres com alterações tubárias, idade avançada, qualidade dos óvulos comprometida, ou que apresentem falhas repetidas de inseminação intrauterina e infertilidade de longa data.

É um processo que dura de 12 a 15 dias, dividido em quatro etapas: Na primeira, é feita a indução da ovulação. Utilizam-se três tipos de medicação: gonodotrofinas para estimular o crescimento dos folículos; antagonistas do GnRh ou agonistas do GnRh para que os folículos não se rompam e para que seja possível coletar óvulos; e hCG que é aplicado 36 horas antes da aspiração dos folículos para a maturação final dos óvulos.

Tratam-se de medicações geralmente injetáveis, mas o manuseio é simples e se assemelha às injeções dos diabéticos. A agulha é pequena e bem fininha e a própria paciente pode ser orientada para aplicá-las sozinha.

O controle da indução da ovulação é feito através de exames de ultrassom que medem os folículos (as bolsinhas que contem os óvulos). Através da medida dos folículos, é possível saber quando os óvulos estão maduros e prontos para serem coletados. Este processo dura cerca de 10 a 12 dias e são realizados neste período três a quatro exames de ultrassom.

A coleta dos óvulos

O procedimento dura cerca de 20 minutos. Uma agulha é introduzida no ovário, guiada por ultrassom para que o líquido dos folículos seja aspirado. O líquido é levado ao laboratório, onde os óvulos serão separados. Para maior conforto da paciente, usamos a sedação. Assim ela não sentirá dor. A quantidade de óvulos depende da idade, da reserva ovariana e da genética da paciente.

A coleta do sêmen

Ainda para a fertilização in vitro, a coleta de sêmen normalmente é realizada no mesmo dia da coleta dos óvulos. A maneira como ela será realizada vai depender da contagem dos espermatozoides no sêmen e se há ou não um problema masculino.

Se houver espermatozoides no sêmen, a coleta é realizada por masturbação (igual um espermograma). Caso o paciente não apresente espermatozoides no ejaculado a coleta de sêmen pode ser realizada através da punção do epidídimo (que fica localizado junto aos testículos), ou através de biópsia testicular.

A biópsia testicular é uma técnica de recuperação de espermatozoides através de uma pequena incisão no testículo e pode ter melhores resultados quando realizada com um microscópio. Os homens não precisam ficar preocupados porque estes procedimentos são realizados em centro cirúrgico com sedação.

A Fertilização in Vitro

Geralmente todos os óvulos maduros são fecundados, ou seja, submetidos a fertilização in vitro ou ICSI, mas apesar dos espermatozoides serem colocados dentro dos óvulos, pode não ocorrer a fecundação.

O que é ICSI?

Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides. Consiste em colocar cada espermatozoide dentro do óvulo através de um micro-manipulador acoplado a um microscópio invertido. É realizado no mesmo dia da coleta dos óvulos por um embriologista, no laboratório de reprodução assistida.

Avaliação do embrião

A avaliação do embrião é realizada pela sua característica morfológica, ou seja pelo número de células e pelo grau de fragmentação destas células. Um embrião “top quality” (ótimo) no terceiro dia de vida é aquele que possui oito células com pouca ou nenhuma fragmentação. Esta avaliação da forma não garante que o embrião seja cromossomicamente normal.

Para avaliação dos cromossomos embrionários, pode ser realizado a biópsia embrionária, que não é um procedimento de rotina, mas tem suas indicações. Trata-se da retirada de uma única célula do embrião no terceiro dia de desenvolvimento ou de um grupo de células no quinto dia de desenvolvimento, para analisar se o embrião apresenta alguma alteração.

A Transferência embrionária

O número de embriões a ser colocado vai depender da idade da paciente e da qualidade dos embriões. De acordo com o Conselho Federal de Medicina, mulheres com menos de 35 anos recebem 2 embriões, enquanto aquelas que tem entre 36 e 39 anos recebem 3.

Mulheres com mais de 40 anos poderão receber quatro embriões. O procedimento é simples: um cateter bem fininho contendo os embriões é colocado dentro do útero, monitorado por ultrassom pélvico. Normalmente o procedimento é feito sem anestesia.

Os embriões excedentes podem ser congelados. A técnica utilizada atualmente é a de vitrificação, que é um congelamento rápido, com altas taxa de sobrevivência pós descongelamento e boas taxas de gravidez. Geralmente 12 dias após a transferência dos embriões é possível fazer o teste de gravidez.

Em que casos a fertilização em vitro é recomendada?

O tratamento de fertilização in vitro é indicado para os casais inférteis que estão passando pelas seguintes situações:

  • Problemas nas trompas, que podem estar danificadas ou bloqueadas ou não possam ser tratados com cirurgia;
  • Alguns tipos de infertilidade masculina;
  • Endometriose grave.
  • Insuficiência ovariana, ou seja, quando os ovários param de realizar sua função reprodutiva, com a produção de óvulos;
  • Infertilidade sem causa aparente.

Quais sãos os riscos da FIV?

O primeiro risco imputado às pacientes submetidas à Fertilização In Vitro é uma complicação chamada hiperestímulo ovariano. Tal complicação gerou grande preocupação no início desta técnica, hoje está praticamente superada, já que podemos utilizar  medicações que previnem esta evolução indesejada em pacientes com risco aumentado para seu desenvolvimento .

Outro risco a ser considerado é o de gravidez múltipla, obviamente quando são transferidos mais do que um embrião para o útero da mulher. A gravidez múltipla não é o objetivo do tratamento pois envolve aumento de risco de complicações maternas e fetais, por isso, há uma tendência mundial de se transferir menos embriões com melhor qualidade.

O que você achou do post de hoje sobre a Fertilização In Vitro (FIV)? Ficou com alguma dúvida sobre o assunto? Conte para a gente ou entre em contato. E se quiser receber sempre em seu e-mail conteúdos sobre fertilidade e gravidez, assine nossa newsletter!

Fontes de pesquisa: The American College of Obstetricians and Gynecologists – The College (ACOG)

 


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