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DRA. ANA LÚCIA BELTRAME • CRM-SP 97.198
GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E REPRODUÇÃO HUMANA

Congelamento de óvulos: quando e por quê?

O congelamento de óvulos (criopreservação de oócitos), ou seja, o conjunto de técnicas que permite conservar células a temperaturas muito baixas (-196º graus) com o uso de nitrogênio líquido para uso posterior é um avanço para a autonomia reprodutiva e uma emancipação para as mulheres.

Pois, existe uma óbvia desigualdade de gênero na reprodução. Uma vez que os homens podem se reproduzir em idades muito mais avançadas que as mulheres.

No entanto, existem várias razões pelas quais as mulheres podem querer atrasar a maternidade como, por exemplo, para se concentrar em sua carreira, para encontrar um parceiro adequado ou porque elas simplesmente não se sentem prontas.

Neste sentido, o congelamento de óvulos pode dar às mulheres a capacidade de fazer escolhas em sua vida reprodutiva e decidir quando e com quem eles desejam ter filhos.

Neste artigo, vamos explicar o que é o congelamento de óvulos, como ele funciona e para quais mulheres ele é indicado. Acompanhe:

Congelamento de óvulos: quando e por quê?

O que é o congelamento de óvulos?

Como explicamos no início deste artigo, o congelamento de óvulos consiste em um conjunto de técnicas que permite conservar células a temperaturas muito baixas.

Desde o nascimento do primeiro óvulo congelado em 1986, na Austrália, muitos avanços foram alcançados. A pesquisa foi acelerada devido às restrições legais e preocupações éticas relacionadas ao armazenamento de embriões.

Agora, técnicas melhoradas e taxas de sucesso levaram à aplicação da criopreservação de óvulos para muitas indicações diferentes, entre elas, a preservação da fertilidade previamente ao tratamento oncológico.

Como o congelamento de óvulos funciona?

A criopreservação envolve a preservação de células e tecidos por longos períodos de tempo a temperaturas inferiores a zero. Existem duas técnicas básicas aplicadas à criopreservação de oócitos humanos:

  • Congelamento lento controlado

Na técnica, a temperatura é reduzida de forma gradativa. As principais dificuldades encontradas no congelamento lento controlado foram a formação de cristais de gelo no interior da célula, o risco de rotura da membrana celular e de desarranjo da estrutura cromossômica. Exatamente por isso a técnica está em desuso.

  • Vitrificação

Em 2006 uma análise da criopreservação de oócitos implicava que as taxas de gravidez com óvulos criopreservados poderiam ser melhoradas com o uso de vitrificação, embora neste momento, poucas gestações tenham sido registradas.

Os novos protocolos, utilizando a técnica chamada vitrificação, permitem a criopreservação dos óvulos humanos de forma segura e com resultados de sobrevida de mais de 95%. Assim, evitando danos celulares que ocorrem com frequência no congelamento lento.

As comparações dos resultados de Fertilização in Vitro (FIV) dos óvulos congelados e vitrificados demonstraram que a vitrificação leva a melhores taxas de sobrevivência, fertilização e gravidez significativamente maiores.

Estudos acompanhando crianças que foram geradas a partir de óvulos vitrificados não mostraram qualquer aumento de anomalias congênitas.

Para quais mulheres ele é indicado?

O congelamento de óvulos pode ser uma importante opção de fertilidade para mulheres com uma variedade de condições médicas diferentes como câncer em programação de tratamento, mulheres com endometriose que podem sofrer uma redução da reserva ovariana após a cirurgia, com doenças autoimunes que requerem tratamento e mulheres com doenças genéticas levando a subfertilidade ou risco de menopausa precoce.

A vida reprodutiva da mulher é finita e depende do número e da qualidade dos óvulos com os quais ela nasceu. Ambos (número e qualidade) reduzem com a idade. Por isso, o congelamento de óvulos também é indicado para mulheres que pensam em postergar sua gravidez por motivos diversos.

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Referências:

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