Em casos normais, o processo de desenvolvimento do bebê acontece dentro do útero. Só ali ele tem o ambiente e as condições para começar uma vida saudável. Mas e quando não acontece no útero? É o que chamamos de gravidez ectópica, uma condição perigosa para a saúde da mãe e que, se não for tratada, pode até ser fatal.

Porém, antes de entender os porquês e como a gravidez ectópica ocorre, vamos relembrar de forma simples os passos de uma gravidez normal:

  • No tempo da ovulação (liberação do óvulo pelo ovário), o espermatozoide procura o óvulo para fecundá-lo, isto acontece na tuba (também chamada de trompa ou trompa de falópio).
  • Após a fecundação, o óvulo fecundado torna-se um embrião. Este é levado através da tuba para a cavidade uterina.
  • Por volta do 6º ou 7º dia após a ovulação, esse embrião implanta-se numa das paredes da cavidade uterina e ali se desenvolverá.

A gravidez ectópica ocorre de forma a interromper esse processo de migração do embrião da tuba para a cavidade uterina, geralmente implantando-se nas paredes da tuba, chamada então de gravidez (ectópica) tubária.

Raramente pode sair através da extremidade tubária e implantar em estruturas abdominais como ovário ou mesmo no peritôneo.

Há ainda a possibilidade desse embrião implantar-se na própria parede do útero, mas em regiões atípicas ou não preparadas para recebê-lo, como é o caso do colo uterino, de uma cicatriz de cesárea ou mesmo no trajeto tubário que fica no interior da parede uterina (intersticial) podendo causar, nestes casos, complicações até mais graves.

Este problema, segundo estudo científico da AMB (Associação Médica Brasileira), é o maior causador de mortes maternas no primeiro trimestre de gravidez. Portanto, siga com a gente e entenda mais sobre sua ocorrência e seus sintomas.

Quando e por que ocorre a gravidez ectópica?

A condição é normalmente diagnosticada antes da 15ª semana de gestação e pode acontecer com qualquer mulher, visto que são várias as circunstâncias apontadas como causa.

Isso ocorre, normalmente, devido a algum problema funcional da tuba, que pode estar relacionado a processos inflamatórios infecciosos, endometrióticos, ou mesmo a processos aderenciais sequelares que limitam a sua motilidade adequada.

Atualmente o tabagismo também foi associado a maiores taxas de gravidez ectópica como descreveremos a seguir.

Médicos e especialistas foram capazes de encontrar uma relação entre doença inflamatória pélvica (causadas por DSTs como gonorreia e clamídia) em metade das mulheres diagnosticadas com a gravidez ectópica. A causa seria de lesões proporcionadas pela inflamação e destruição da parede tubária.

Outras ocorrências que deixam cicatrizes ou obstruções podem ser qualificadas como causa, como endometriose ou mesmo quaisquer cirurgias abdominais (como retirada de apêndice ou qualquer operação feita nas trompas), ou mesmo já ter passado por uma gravidez ectópica anteriormente.

Segundo o estudo da AMB, o tabagismo é o maior fator de risco para desenvolvimento da gravidez ectópica; as chances são 5 vezes maiores para mulheres fumantes do que para as não-fumantes.

O que acontece é que as substâncias tóxicas da fumaça do tabaco são capazes de interferir no funcionamento das tubas uterinas, que além da gravidez ectópica, podem causar abortos espontâneos e o nascimento de bebês pequenos.

Portanto, para as mulheres que querem engravidar — ou que engravidaram — é essencial se distanciar do cigarro.

Quais os sintomas da Gravidez Ectópica?

Este é um problema que pode parecer um tanto traiçoeiro de início. Seus sintomas podem ser muito inespecíficos ou até parecerem com os que antecedem a chegada da menstruação ou mesmo de uma gravidez normal.

Caso você esteja ou tem a possibilidade de estar grávida, ou seja, depois do atraso menstrual, tenha um pouco de atenção em sinais como:

  • Se uma dor aguda e insistente em um lado do abdômen se manifestar.
  • Apresentar sangramento vaginal de aspecto não habitual na intensidade ou no aspecto.

O que pode acontecer se a gestação ectópica não for diagnosticada?

Afortunadamente a maioria das gestações ectópicas são resolvidas espontaneamente e sem maiores problemas clínicos.

Nestes casos, o saco gestacional com o embrião podem ser expelidos pela tuba, em geral para a cavidade pélvica e lá serão reabsorvidos; ou expelidos para a cavidade uterina saindo no sangramento vaginal. Podem ainda involuírem espontaneamente no interior da tuba e lá serem reabsorvidos.

Se a gravidez ectópica não for diagnosticada e a trompa se romper, os sintomas tornar-se-ão muito mais fortes. As dores abdominais aumentarão de intensidade e ocorrerá sangramento no interior do abdome. A hemorragia interna em grande quantidade pode levar ao desmaio.

Neste ponto, é urgente que a mulher seja encaminhada para o hospital mais próximo.

E quais os cuidados para não sofrer uma gravidez ectópica?

Você possui alguma condição que possa aumentar as chances de gravidez ectópica?

  • Apresentou um caso de gestação ectópica no passado?
  • Foi submetida a cirurgias pélvicas complicadas que podem ter gerado aderências?
  • Já foi diagnosticada ou teve suspeita de infecções pélvicas, também conhecidas por doença ou moléstia inflamatória pélvica?
  • Tem endometriose ou suspeita que tenha?
  • É tabagista?

Caso apresente um histórico destes supracitados, antes de tentar engravidar procure um médico especialista para que este possa lhe orientar quanto aos riscos ou mesmo solicitar alguns exames para verificar a saúde das suas tubas.

Você pode ter ainda uma lesão tubária já conhecida, nesse caso, pode-se tentar resgatá-la cirurgicamente, através da tuboplastia ou da lise de aderências.

Nos casos mais graves pode-se lançar mão da fertilização in vitro, onde a gravidez irá acontecer sem necessidade do “estágio tubário” , pois a fertilização ocorrerá artificialmente, fora das tubas e o embrião será colocado diretamente na cavidade uterina.

E então? Ficou alguma dúvida sobre como ocorre a gravidez ectópica? Estamos aqui para te ajudar, então, é só deixar um comentário que logo mais responderemos!