Endometriose Profunda

Dores intensas durante a menstruação ou na região pélvica como um todo não são sintomas para se ignorar. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), de 30 a 54% das mulheres com sintomas como esses podem sofrer de endometriose.

Caracterizada como uma desordem ginecológica crônica, a endometriose acontece quando o tecido endometrial (tecido que reveste a cavidade uterina) é encontrado desenvolvendo-se fora do útero. Neste conteúdo da Clínica Ella, explicamos mais sobre a ocorrência normal da doença.

O que caracteriza a endometriose profunda?

Endometriose profunda é uma das três apresentações da doença. Nesta forma o tecido endometrial infiltra mais profundamente as estruturas onde é encontrado, podendo formar placas ou verdadeiras tumorações. Desta maneira, pode prejudicar o funcionamento de outros órgãos, podendo causar obstruções intestinais ou no sistema urinário, por exemplo.

Essa apresentação, bem como outra versão da doença que é a ovariana (endometrioma ovariano), por possuírem um volume significativo de tecido anômalo, podem ser caracterizadas através de diferentes métodos de imagem como o ultrassom transvaginal ou a ressonância magnética.

Quais os sintomas da endometriose profunda?

De maneira geral, os sinais e sintomas não se correlacionam muito bem com a extensão ou a gravidade da doença. Ou seja, endometrioses pouco extensas ou superficiais podem provocar sintomas exuberantes de dor pélvica. E a na versão Profunda pode ser até assintomática.

No entanto, a endometriose profunda, como já foi citado, pode prejudicar o funcionamento de outros órgãos podendo gerar disfunções, sangramentos anômalos e inflamação.

Podemos listar, como alerta para a endometriose profunda:

  • Dores e/ou sangramentos ao urinar ou ao evacuar.
  • Dores na relação sexual.
  • Infertilidade
  • Dores de longa data, além da região pélvica, também nas costas.

Apesar de nem todas as mulheres com endometriose apresentar dificuldade para engravidar, quando observamos o grupo de mulheres inférteis, cerca de 40% delas apresentam endometriose.

Como diagnosticar a endometriose profunda?

Para o diagnóstico da endometriose é necessária uma avaliação clínica criteriosa por parte do ginecologista. Nos casos de endometriose profunda, o toque vaginal pode levantar fortemente a suspeita e determinar o prosseguimento da investigação através de exames subsidiários.

A ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética podem caracterizar as lesões de endometriose e ao mesmo tempo avaliar a sua extensão.

O diagnóstico definitivo é feito apenas através da biópsia realizada durante a intervenção cirúrgica. No entanto, nem sempre isso será necessário, sendo o diagnóstico presuntivo fornecido pela história, exame físico e de imagens, suficiente para caracterizar a maior parte das doenças.

Dependendo do quadro clínico e da caracterização da extensão da doença o médico poderá definir se será necessária uma intervenção cirúrgica ou apenas o seguir com o tratamento clínico.

Quais os tratamentos mais comuns para mulheres com endometriose profunda?

Eles podem ser tanto clínicos, cirúrgicos e em geral, uma combinação dos dois. Como não há uma solução permanente para a doença, o foco do tratamento deve ser de aliviar os sintomas e/ou reverter o quadro de infertilidade, sempre tendo em mente a prevenção da sua progressão ou de futuras ocorrências.

Para decidir entre os tipos de tratamentos, o ginecologista avaliará a queixa clínica da mulher e se ela quer engravidar. Além disso, deve levar em conta a idade, se há outros fatores que causam infertilidade e também o risco-benefício para sua saúde e seus planos.

A cirurgia mais comumente utilizada, caso escolhida, é a laparoscopia, que retira as lesões de endometriose, promovendo a redução do processo inflamatório abdominal e também a restauração da anatomia pélvica. Em casos mais avançados, a retirada dos focos de endometriose implica na retirada de parte de órgãos como do intestino, da bexiga, tubas ou dos ovários.

Para prevenir a formação de novos focos de endometriose recomenda-se a interrupção da menstruação através de métodos hormonais específicos. Exemplo: pílulas, implantes ou dispositivos intrauterinos (DIU) liberadores de hormônios.

Com o bloqueio do fluxo menstrual, inibe-se a dispersão das células endometriais pela cavidade abdominal. Desta forma impedindo a formação de novos focos endometrióticos.

E então, esclarecemos um pouco mais sobre a endometriose profunda, seus diagnósticos e tratamentos? Caso tenha alguma dúvida, deixe um comentário que logo responderemos!