Como tratar os Ovários Policísticos?

Muitos devem pensar que a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um problema inerente aos ovários da mulher, e sendo assim deveríamos focar nossos esforços para tratar as alterações que acontecem dentro destes órgãos.

A primeira coisa que a pessoa que busca o tratamento desta síndrome deve saber é que o padrão ovariano (policístico), é apenas uma, das muitas manifestações que acompanham este distúrbio.

Pasmem, mas a Síndrome dos Ovários Policísticos ou Micropolicísticos, como queiram chamar, pode ocorrer mesmo sem esse aspecto ovariano que lhe deu o nome, ou seja, com os ovários de aspecto normal!

Por definição, a condição sine qua non para que estejamos frente a esta condição é o hiperandrogenismo, ou seja, ou o aumento dos hormônios masculinos, caracterizados no exames de sangue, ou simplesmente caracterizado clinicamente, através de manifestações associadas a eles, como por exemplo, o aumento dos pelos ou de acne.

American Society for Reproductive Medicine

Para fecharmos o quadro, segundo o último consenso da American Society for Reproductive Medicine de 2009, faz-se necessário a presença de uma das duas seguintes manifestações: uma alteração menstrual persistente, como ciclos ovarianos mais curtos ou mais prolongados; ou próprio padrão ovariano que dá nome à Síndrome, caracterizado ao ultrassom.

Obviamente, devemos excluir um “compêndio” de alterações que podem dar esses mesmos sinais e sintomas. Sendo assim o ultrassom dos ovários nem sempre está alterado.

Estando a frente desta mulher que preenche tais critérios, o médico está ciente que isto implica em muitas questões, como o aumento do risco de infertilidade, sangramento menstrual anormal, risco para carcinoma do endométrio, obesidade, diabetes melito tipo 2, dislipidemia, hipertensão e possíveis doenças cardiovasculares.

Sabemos atualmente que uma das causas mais importantes que levam à SOP é o aumento da insulina circulante que muitas vezes associadas à obesidade. Essa insulina age no padrão fisiológico normal dos ovários, promovendo o aumento da produção dos hormônios masculinos e prejudicando o processo ovulatório.

Desta forma uma conduta geralmente praticada é a utilização de medicações que levam à redução dos níveis de insulina sérica, na tentativa de reverter todo o processo acima. A medicação recomendada é a metformina, um hipoglicemiante oral, há muito tempo utilizado no tratamento da diabetes tipo II.

Quando o assunto é a infertilidade, causada pela falta da ovulação, pode-se ainda lançar mão, diretamente de indutores da ovulação. Há uma série de medicações dedicadas a esse tema, desde as mais antigas como o Citrato de Clomifeno, até mais complexas como as gonodatropinas sintéticas. Em geral, as primeiras, muito mais baratas, apresentam ótimos resultados.

Os anticoncepcionais hormonais são outra linha de tratamento e são utilizados quando a manifestação predominante e quase exclusiva é a irregularidade menstrual associadas ou não de acne e/ou aumento de pelos.

Não podemos esquecer, no entanto, que o processo é sistêmico, relaciona-se com vários processos fisiológicos e nem sempre é a única causa dos mesmos. Sendo assim o tratamento pode ser complexo e envolver outras etapas, medicações e acompanhamento. Não deixe de acompanhar com o especialista.