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DRA. ANA LÚCIA BELTRAME • CRM-SP 97.198
GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E REPRODUÇÃO HUMANA

Abortos de repetição

Embora 25% de todas as gestações evoluam para abortamento, somente 5% das mulheres terão dois abortos, e somente 1% sofrerão três ou mais perdas gestacionais.

Casais que possuem abortamentos recorrentes devem ser submetidos a uma investigação detalhada por um especialista.

Dentre os fatores que podem causar perdas gestacionais de repetição destacam-se:

  • Alterações cromossômicas:
    Aproximadamente 60% de todos os abortos são causados por alterações cromossômicas, que podem acontecer ao acaso, por erros na divisão celular, ou herdadas dos pais.
    Para investigação deste fator, solicita-se um cariótipo dos pais (para avaliar se há quebras, trocas ou apagamentos de parte dos cromossomos) e o cariótipo do material do abortamento (para avaliar os cromossomos do feto que não evoluiu).
  • Idade
    A chance de abortos aumenta com a idade da mulher devido à diminuição da qualidade dos óvulos e, consequentemente, menor eficiência da divisão celular.
    Aproximadamente 1/3 de todas as gestações em mulheres com mais de 40 anos terminam em abortamentos.
    Uma forma de se evitar estas perdas é o estudo pré-implantacional do embrião através de sua biópsia antes de coloca-lo no útero. Esta técnica somente é possível pelo tratamento de Fertilização “in vitro”.
  • Trombofilia
    Condição em que a mulher possui fatores que predispõem a ocorrência de trombose (formação de coágulos). A identificação destes fatores é realizada através de exames de sangue (mutação fator V de Leiden, Mutação protrombina, antitrombina III, homocisteína, proteína s livre, proteína C funcional).
    A paciente portadora desta condição pode se beneficiar com o uso de aspirina e anticoagulantes.
  • Síndrome do Anticorpo antifosfolípede
    É caracterizada pela presença de anticorpos específicos (anticorpo anticardiolipina, anticoagulante lupico e beta2 glicoproteína) , que junto com algumas características clinicas , fazem o diagnostico desta síndrome, que pode causar perdas gestacionais de repetição, além de complicações durante a gravidez como: restrição do crescimento do bebê e trabalho de parto prematuro.
    Pacientes portadoras da síndrome do anticorpo antifosfolípede se beneficiam do uso de aspirina e anticoagulantes durante a gestação.
  • Alterações do útero
    Malformações uterinas, pólipos, miomas e sinéquias podem ser estar relacionados a abortos de repetição. A avaliação uterina minuciosa faz-se sempre necessária nestes casos. Os exames habitualmente solicitados são: histerossonografia ou histeroscopia e ultrassom tridimensional ou ressonância magnética da pelve.
  • Fator masculino
    Alguns estudos demonstram que a maior fragmentação do DNA do espermatozoide pode estar relacionada a abortos de repetição, no entanto, mais estudos são necessários para confirmar este achado.
    A fragmentação do DNA espermático é avaliada no sêmen que deve ser colhido como na avaliação do espermograma, ou seja, por masturbação.
  • Abortos inexplicáveis
    Infelizmente nenhuma explicação é encontrada em aproximadamente 50 a 75% dos abortamentos recorrentes.

 


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